Minha terceira vítima. Alta, magra, loira. Minha fraquesa.
Uma princesa aqui da cidade, elas são tão ingênuas, tão carentes de amor.
Realmente uma presa fácil.
Um sorriso e elas se derretem, seria meu charme? Ou o perigo é de fato atraente?
As mulheres de hoje são muito fáceis de iludir, mas no fim, todo meu trabalho vale a pena quando vou à galeria de arte vender meus quadros.
Quase me esqueci, preciso pegá-la.
Ela não vai longe sangrando desse jeito.
Disperdício.
- Oh, que triste, escorregou em seu próprio sangue.
Ela grita, está pálida.
- Por que eu te soltaria darlin? Volte comigo, vamos terminar o trabalho.
A vejo ajoelhada no chão, chorando e implorando pela vida. Quanto drama. Desnecessário.
Enrolo seus cabelos macios e sedosos em minha mão calejada.
Ela desliza suave, ao som de Chopin.
A sinfonia não seria a mesma sem os gritos... Chopin errou nisso.
Insatisfeita com a sina, relutante, ainda é bem forte para alguém que jorra vida pela ferida aberta na barriga.
Mesmo assim a domino.
Amarro uma das mãos na maca.
Suas pernas lisas e geladas ainda em frenesí são dois infortunios delirantes. As contenho e amarro.
A essa altura deveria estar cansada, mas seu braço esquerdo sem qualquer coordenação motora tenta livrar as amarras.
É instintivo, um golpe apenas na fronte e ela cai apagada.
Todo amarrado, a maca se elevando ao comando do controle remoto.
Ela está clara, branca.
Reclinada á perfeitos 38° de cabeça para baixo.
Uma incisão na carótica é tudo que eu preciso.
- Pronto querida, agora podemos conversar mais calmamente.
O precioso líquido escorre, jorrando pelo corte no pescoço.
A tela está pronta, pura, branca, esperando pelo suave toque do pincel humidecido em cores vivas. Vermelho é minha preferida.
Inicio meu diálogo... ou melhor, meu monólogo:
"Sabe Molly, ou seja lá como for seu nome, eu ainda não consegui deixar o vermelho neste mesmo tom, quando seca ele escurece... já tentei misturar com outras tintas, verniz antes e depois, óleos... nada funciona. Sempre fica ruim.
Hoje vamos usar anticoagulante e formol, talvez a combinação dos dois.
Normalmente eu uso para escurecer outras cores, dá um tom mais sombrio nas minhas pinceladas, é o que dizem os críticos.
Mas eu tenho talento. Só preciso encontrar o vermelho perfeito... na verdade já encontrei, mas mantê-lo assim é que está difícil.
Boa noite querida, amanhã você fará parte de mais uma obra-prima de um excelente pintor.
Parabéns!"
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