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sábado, 28 de março de 2015

A Casa (Terror)


No ano de 1930, em uma pequena cidade chamada Paradise, morava um garoto chamado John, de 12 anos. John tinha três amigos, a esperta Tifh, o engraçado Alvin e o medroso Hugo; entre todos John era o mais curioso adorava explorar novos lugares.
Certo dia, John e seus três amigos estavam indo para escola, quando passaram pela casa dos Hoffman, diz à história que a família inteira fora estripada por um maníaco que rondava pela cidade 10 anos atrás desde a morte da família ninguém ousava morar naquela casa. John ficou bastante curioso para explorá-la, ele ficava olhando atentamente para aquela casa que tinha uma pintura branca desbotada pelo bastante tempo que teria passado, com uma cerca torta rodeando todo o terreno, com árvores mortas, grama alta e janelas quebradas; Hugo olhou fixamente para John e disse:
-John nem pense nisso, você sabe muito bem sobre a história dessa casa.
Alvin sempre brincalhão replicou Hugo dizendo:
-Hugo você é mesmo muito medroso, parece uma galinha. Então antes que todos se atrasassem para a escola, Tifh alertou de que era hora de voltar a caminhar ou senão iriam se atrasar.
John não conseguia tirar da cabeça como seria incrível explorar aquela casa, então chamou Tifh para conversar.
-Tifh o que acha de depois da escola, juntar todos e irmos explorar a casa dos Hoffman?
Tifh ficou alguns segundos pensando e finalmente falou: -Claro, por que não. Mas sabe que Hugo não ira gostar nada dessa ideia.
John, com um sorriso disse: -É, eu sei, mas você pode convencê-lo de ir, você sabe que ele tem uma queda enorme por você e faria tudo que pedisse.
Depois de um sorriso sem jeito, Tifh responde: -Ok, eu falo com ele, então até a saída.
-Até, disse John com uma expressão de anseio.
Na volta da escola, Hugo não parava de dizer que isso era uma má ideia. Chegando à esquina da casa, todos pararam de frente para aquela imagem assustadora que a casa passava. Já era mais de 18h00 da noite a lua já brilhava no céu. Eles ficaram 10 minutos esperando antes de entrar quando Hugo soltou um grito alto, assustando assim todos. Tifh com o coração quase saltando pela boca pergunta:
-Hugo o que você tem na cabeça para sair gritando assim sem mais nem menos?
Hugo responde eufórico: -Eu vi alguma coisa na janela do 2º andar.
Alvin se esbaldando em risadas brinca dizendo: -Acho que era a Sr.ª Hoffman limpando a janela.
John fazendo de tudo para não rir diz: -Pare Alvin, e Hugo não há ninguém lá, a casa está abandonada a mais de 10 anos. Então vamos? Pergunta John muito mais ansioso. Todos os quatro prontos para ir, atravessam o jardim de grama alta chegando a uma velha porta de madeira.
Alvin brincando diz: "É, acho que vou tocar à campainha.". Mas quando Alvin se aproxima para tocá-la a porta se abre sozinha fazendo um ranger assustador, todos ficam completamente paralisados com a cena e Hugo como sempre quase desmaiando de medo se escondendo atrás de Tifh.
Todos se entreolharam por alguns segundos e decidiram entrar na casa, assim que entraram ficaram maravilhados de como a casa era grande, Alvin solta um grito curto e alto, e escuta sua voz ecoar pelos cômodos.
-Legal, diz ele. Então por onde começamos a bisbilhotar?
-Hm, que tal pela parte de baixo da casa e depois pela de cima e finalmente o porão?
Que tal começarmos pelo lado de fora indo para casa, sugeriu Hugo. Mas nenhum deles dera atenção para o que ele disse.
-Esse lugar é estranho, sei lá, me passa um ar de sofrimento e medo, diz Tifh.
-Acho que temos mais uma pessoa com medo, brinca Alvin.
-Tifh manda um olhar sério e enojado para Alvin, fazendo-o logo olhar para o lado e avistar a cozinha. Oba vou fazer uma boquinha, diz ele.
Todos deram curtas risadas e continuaram a olhar por todos os lado, Hugo estava próximo a escada, vendo os antigos retratos da família. Tifh, um pouco mais atrás perto da antiga estante que continha alguns objetos sem valor. Alvin estava obviamente na cozinha futucando nas coisas que encontrara lá. E John, andava por toda a sala com os olhos brilhando de emoção por estar ali.
De repente, ouviu-se um barulho vindo do segundo andar, Hugo por estar bem perto da escada logo se afasta para perto de Tifh, e diz:
-Ouviram isso? Parecia um ranger de madeira, como se alguém estivesse andando sobre ela.
-Tifh também com uma cara de surpresa diz, sim eu também ouvi, parecia que estava usando um tipo de bota ou sei lá. Acho que vocês estão ficando doidos - diz Alvin - eu não ouvi nada. John, você ouviu algo? - Pergunta Alvin.
- Eu acho que ouvi também, Alvin - diz John olhando fixamente para a entrada do corredor do segundo andar - acho que devemos lá ver para ter certeza de que não é nenhum gato velho andando pela casa, sugeriu.
Subindo as escadas vagarosamente e com os olhos fixados na entrada do corredor, eles chegaram ao segundo andar. Ele tinha um corredor escuro, tinha quatro portas provavelmente três quartos e um banheiro, cada um olhou um dos cômodos. Hugo ficou com o quarto do filho da família, Tifh com o quarto da filha, Alvin com o banheiro e John com o quarto dos pais. John olhava os antigos quadros que havia lá, eram assustadores, com pinceladas fortes e detalhes extremamente macabros.
Quando de repente, escuta-se um grito apavorado de Hugo vindo do quarto, todos rapidamente correram para lá e viram Hugo olhando para a parede com uma expressão de medo horrível, assim todos olharam e viram uma escritura vermelha se formando, que dizia: "Vocês nunca deveriam ter entrado nesta casa". Todos começaram a gritar e a correr para a entrada da casa, mas a porta se fechara sozinha com uma batida muito forte fazendo um barulho tremendo que ecoava pela casa. Ao olharem para o segundo andar viram quatro figuras estranhas olhando para eles com olhos vermelhos e com o corpo totalmente dilacerados. Foi quando uma delas sumiu, e apareceu atrás deles e sussurrou em seus ouvidos: "Suas almas serão nossas e vocês nunca mais saíram dessa casa".
Os gritos de horror deles alimentavam a fome de sangue dos espíritos, os seus medos davam a eles um espetáculo de alto valor. Foi quando John começou a flutuar bem diante de seus olhos, chegando próximo a encostar-se ao teto, quando o espirito do pai, estende sua mão e a fecha rapidamente, John tem sua coluna totalmente destruída, formando um circulo quase perfeito entre sua cabeça e seus pés, Hugo totalmente paralisado, Tifh sem reação nenhuma a situação apenas observa o amigo sendo morto brutalmente e Alvin com os olhos cheios de lágrimas somente chora o momento de grande medo. O corpo de John cai, formando uma poça de sangue no meio da sala, todos sem nenhuma reação ficaram apenas observando tudo quando o enorme lustre que havia na sala cai, fazendo um barulho extremo.
Um casal passava em frente a casa no momento do barulho, ficaram assustados com o barulho estranho que vinha da casa, e decidiram entrar para ver o que havia acontecido e encontram os corpos de 4 jovens, estripados e esmagados pelo lustre, a mulher grita horrorizada e corre para fora junto com seu marido, logo começam a chamar por ajuda.
A policia chega, faz sua investigação, porém, depois de tempo sem nenhuma pista do que poderia ter acontecido, arquivaram o caso por falta de provas.
Então essa foi a história de quatro amigos que um dia decidiram explorar uma casa antiga, que mesmo sabendo da história terrível sobre ela ignoraram tudo para satisfazer seu prazer de curiosidade. Uma dica para você que pensa em fazer o mesmo, nunca perturbe o sono daqueles que foram "postos" para dormir de um jeito ruim, pois, ao acordarem eles não terão piedade de suas almas.
"Vivemos em um mundo onde, espíritos e humanos vivem juntos, só somos incapazes de ver a beleza que rodeia o mundo dos mortos".

A GAITA ENSANGUENTADA


Ah, como eu adorava o blues. Era a Primavera de 1952 e a parte favorita do meu dia era a chegada de pai do trabalho, ele tirava sua velha gaita de madeira do bolso da calça e assoprava aquelas notas ora tristes, ora excitantes que me envolviam em um mar de som sem igual. Quando meu pai se cansava e ia dormir, eu ia sempre "dar uma conversada" com o Seu Marinho, o jardineiro de nossa casa. Ensinava-me as peculiaridades dos pés de Jabuticaba e por vezes me contava de sua vida temerosa. Seu Marinho era o dono da principal mercearia do bairro, tinha uma vida bem próspera e farta. Meu pai sempre passava lá para encomendar uns discos de jazz, na qual Seu Marinho o fazia por um preço um tanto quanto barato. Era o dono de comércio mais boa pinta da vizinhança, sabia exatamente o que os mais devotos clientes iriam comprar e até concedia pequenos descontos para aqueles que estavam um pouco duros (fiado ele não fazia sobre hipótese alguma). Mas tudo veio a mudar quando uma gangue (que já aterrorizava a Vila Mariana há algum tempo) invadiu a casa de Seu Marinho, matando ambas as filhas e esposa do pobre senhor e suas duas filhas, além disso, levariam grande parte de sua economia tão merecida.
Foi Terrível, o massacre foi parar em mídia nacional e, por algumas semanas, a pacata vizinhança só falava naquilo, mas a pior repercussão foi na mente de Seu Marinho.
A mercearia fora fechada e ninguém mais via Seu Marinho, acabara de virar um prisioneiro de sua própria mente corrida pela insanidade.
Passado alguns meses, meu pai ofereceu um emprego de jardineiro para Seu Marinho como modo de reintroduzi-lo no meio social já há muito abandonado.
Seu Marinho, como um símbolo de gratidão, ofereceu-o a meu pai o único artefato que o recordava do crime e das mortes que o marcara: Uma velha gaita de madeira que havia sido encontrada na cena do crime. Metaforizando assim o esquecer daquelas memórias.
Ainda me lembro claramente do dia em que ele me contou essa história, a visão que eu tinha do velhinho que aparava a grama do quintal mudou bruscamente. Depois desse evento, a gaita de meu pai já não me atraía como antes, era uma singela repulsa que não sabia explicar. Seu Marinho ainda mantinha no rosto o escárnio e o total nojo de sempre da música de meu pai.
Era apenas mais um dia empinando pipa para matar o tédio quando, repentinamente, meu pai me chamou em seu quarto. Ele me dissera que teria que viajar para Santos em uma viagem de negócios e que em três semanas estaria de volta, quando ele terminou de falar reparei que estava com um leve ar doentio.
Demorou, Demorou demais. Às vezes não lembrava mais onde ele estava, sua música e sua ternura me viciaram de um jeito que queria o ver imediatamente. A vida era um tédio, não esperava mais pelas noites que tanto me agradavam.
Mas então, um dia eu ouvira de novo aquela gaita, as notas ressoavam de tal maneira que só poderia ser meu pai, a música me envolvia


Corri, Corri loucamente para o jardim na expectativa de encontrar meu pai, mas o que encontrei foi assustador. Seu Marinho estava segurando a gaita de meu pai em uma mão e uma tesoura de jardinagem desmontada na outra (ambas ensanguentadas). Ele me fitou com um olhar vago, como se olhasse para o vazio e me disse: "Enfim, poderei descansar"

O Vermelho Perfeito (Terror)


Em pânico ela saiu correndo desengonçada.
Minha terceira vítima. Alta, magra, loira. Minha fraquesa.
Uma princesa aqui da cidade, elas são tão ingênuas, tão carentes de amor.
Realmente uma presa fácil.
Um sorriso e elas se derretem, seria meu charme? Ou o perigo é de fato atraente?
As mulheres de hoje são muito fáceis de iludir, mas no fim, todo meu trabalho vale a pena quando vou à galeria de arte vender meus quadros.
Quase me esqueci, preciso pegá-la.
Ela não vai longe sangrando desse jeito.
Disperdício.
- Oh, que triste, escorregou em seu próprio sangue.
Ela grita, está pálida.
- Por que eu te soltaria darlin? Volte comigo, vamos terminar o trabalho.
A vejo ajoelhada no chão, chorando e implorando pela vida. Quanto drama. Desnecessário.
Enrolo seus cabelos macios e sedosos em minha mão calejada.
Ela desliza suave, ao som de Chopin.
A sinfonia não seria a mesma sem os gritos... Chopin errou nisso.
Insatisfeita com a sina, relutante, ainda é bem forte para alguém que jorra vida pela ferida aberta na barriga.
Mesmo assim a domino.
Amarro uma das mãos na maca.
Suas pernas lisas e geladas ainda em frenesí são dois infortunios delirantes. As contenho e amarro.
A essa altura deveria estar cansada, mas seu braço esquerdo sem qualquer coordenação motora tenta livrar as amarras.
É instintivo, um golpe apenas na fronte e ela cai apagada.
Todo amarrado, a maca se elevando ao comando do controle remoto.
Ela está clara, branca.
Reclinada á perfeitos 38° de cabeça para baixo.
Uma incisão na carótica é tudo que eu preciso.
- Pronto querida, agora podemos conversar mais calmamente.
O precioso líquido escorre, jorrando pelo corte no pescoço.
A tela está pronta, pura, branca, esperando pelo suave toque do pincel humidecido em cores vivas. Vermelho é minha preferida.
Inicio meu diálogo... ou melhor, meu monólogo:
"Sabe Molly, ou seja lá como for seu nome, eu ainda não consegui deixar o vermelho neste mesmo tom, quando seca ele escurece... já tentei misturar com outras tintas, verniz antes e depois, óleos... nada funciona. Sempre fica ruim.
 Hoje vamos usar anticoagulante e formol, talvez a combinação dos dois.
Normalmente eu uso para escurecer outras cores, dá um tom mais sombrio nas minhas pinceladas, é o que dizem os críticos.
 Mas eu tenho talento. Só preciso encontrar o vermelho perfeito... na verdade já encontrei, mas mantê-lo assim é que está difícil.
Boa noite querida, amanhã você fará parte de mais uma obra-prima de um excelente pintor.
Parabéns!"

Anjo meu...



Eu daria tudo pra ver aqueles olhos castanhos brilharem pra mim todas as manhãs, ouvir aquela voz dizendo que me ama, sentir aquele perfume do qual eu nunca enjoo. Daria tudo pra ser a dona daquele olhar, daquele cheiro, sorriso, beijo… Mas, isso é apenas uma ilusão que bateu na minha janela desde a primeira vez que te vi. Naquele momento minha alma gritou: Preciso cuidá-lo, amá-lo... E o desejo - mesmo sabendo que essa história é impossível -, ah, ele só aumenta e por não ser realizado machuca o peito, rasgando em pedacinhos o pobre coração amargurado pela dor do desamor. Ainda sabendo que não me amas, eu preciso ver-te novamente, contemplar teu olhar e sorriso. E a dúvida que me atormenta é se eu vou poder fazer isso outra vez. E depois de tudo o que houve e das palavras curtas proferidas em tom de indiferença, a única solução é esquecer. Mas me diz! Como esquecer aquele que fez seu mundo parar e girar do lado contrário? Você mudou a minha rota, desviou-me do caminho. Como encontrar de novo o chão? Eu te amo, mas viver assim não dá mais. Porque nem nos sonhos tu apareces pra mim. A imagem em minha cabeça é embaçada e confusa, mas ainda é você que predomina, dia e noite, noite e dia. Rezo para Deus cuidar de ti, já que eu não pude fazer isto. Despeço-te nas palavras que gostaria de ter dito, mas por medo não falei: eu amo você, anjo meu.

Uma declaração de Amor


Podem existir mil obstáculos, mas nada fará com que
meu amor por ti morra.
Atravessarei até os maiores mares, mas não existirá água
suficiente que afogue o amor que sinto por você.
Subirei até a montanha mais alta do mundo, só para te ver,
e de lá gritarei seu nome para ver se me ouve, e se me ouvires,
direi uma só frase:
Eu te amo.
E quando o vento passar, levará consigo o que eu disse, e quando
ele soprar em seu ouvido, escutarás junto ao vento:
Eu te amo.
E toda vez que o vento soprar em seu ouvido, não será só apenas
o vento, mas eu dizendo que te amo.


(Sílvio César Rabêlo Lopes)

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